Atividades socioemocionais são reivindicadas para o currículo escolar comum e aquecem debate da Base Nacional Comum Curricular (BNC)

Em Setembro deste ano o repórter Eduardo Vanini, do Globo, fez a cobertura da segunda edição do seminário Educação 360, que aconteceu de 11 a 12 de Setembro, no Rio de Janeiro. Um dos temas que foi debatido no evento foi a inserção de habilidades como equilíbrio emocional e trabalho em equipe no currículo escolar.

Especialistas defendem que atividades socioemocionais são imprescindíveis para que os alunos saibam se relacionar, trabalhar em grupo e controlar as emoções. É preciso combinar o ensino de habilidades tradicionais às socioemocionais, que representam o que as crianças precisam para ter sucesso não só acadêmico, mas na vida.

No mesmo sentido, o Ministério da Educação (MEC) considera um dos desafios contemporâneos da educação brasileira a ampliação do tempo, dos territórios e das oportunidades educacionais nas escolas para garantir e qualificar a aprendizagem dos alunos na perspectiva da Educação Integral e Integrada.

O modelo de educação infantil na Finlândia, por exemplo, defende a aprendizagem focada nos jogos e nas brincadeiras. Os finlandeses acreditam que é desta forma que as crianças podem expandir os seus potenciais tanto para desenvolver a linguagem e para aprender a fazer contas quanto para conviver com os outros de forma positiva.

Nas atividades do Programa Amigos do Zippy, explica a Coordenadora de Capacitação do AZ, Miriam Guimarães, “os jogos e brincadeiras têm seu papel e são construídos com o objetivo constante de valorização da diversidade de ideias e opiniões, buscando e propondo a ação colaborativa das crianças, com foco na apreciação das diferenças, no conceito de que em grupo somos melhores e que cada um tem algo a contribuir, sem a necessidade de um superar o outro, mas sim superar a si mesmo e contribuir com o todo.”

Em 16 de Setembro deste ano, quando o MEC lançou o documento preliminar da BNC, foi aberto o debate público sobre o que cada estudante deve aprender a cada ano letivo. Após a consulta pública com sugestões que são enviadas pelo site da BNC, que termina no dia 15 de Dezembro, o texto será submetido ao parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE).

A meta é concluir o processo até Junho de 2016, prazo definido pelo Plano Nacional de Educação em 2014. O texto preliminar redigido pelo MEC busca a padronização de pelo menos 60% do currículo e vai reformular o ensino para todos os alunos das 190 mil escolas da Educação Básica no país.

Como forma de diminuir as desigualdades no país, instituições como a ASEC estão reunindo esforços para inserir na BNC as competências do Século XXI, entre elas o desenvolvimento de competências socioemocionais, para garantir que, além de habilidades cognitivas, os alunos adquiram outras que precisam para perseguir seus projetos pessoais.

“Integrar a Educação Socioemocional na BNC significaria uma conquista para a ASEC, que vem buscando e trabalhando por essa inserção há mais de 10 anos. A contribuição da ASEC é disponibilizar metodologias de ensino que ofereçam resultados reais para as crianças, como, por exemplo, o Programa Amigos do Zippy que tem reconhecimento internacional na área e está em 30 países no mundo”, destaca Miriam Guimarães.

No Brasil, isso significa a possibilidade concreta de obtermos uma sociedade com mais recursos para lidar com seus conflitos e diferenças, de forma positiva, solidária e inclusiva. Termos uma sociedade mais humanizada, sem a necessidade da violência como única reação à divergência ou adversidade. “Não se acaba com a violência sem oferecer instrumentos que permitam às pessoas aumentarem seus recursos para lidar com as adversidades da vida”, afirma a coordenadora.