Saúde mental: resolver conflitos e desempenho acadêmico

A saúde mental é um campo que vem se desenvolvendo desde meados do Século XX. A publicação “A Escola e a Desigualdade” (UNESCO, 2007) analisou fatores que favorecem o bom desempenho escolar em 14 países, incluindo o Brasil. O aspecto que mais chamou a atenção foi a escola ter um ambiente emocional adequado, fruto do bom relacionamento dentro da sala de aula.

A professora Barbara Scofano, da Escola Municipal Embaixador Ítalo Zappa e tutora do AZ, acredita que o ambiente emocional saudável promovido pelo programa favorece o aprendizado. “Ao trabalhar as questões afetivas, na medida em que o programa possibilita trabalhar o emocional com maior autonomia, o sujeito amplia suas possibilidades, uma vez que aquelas dificuldades que interferem na atenção são elaboradas, favorecendo a autoestima e a segurança emocional desse aluno. Quando a criança trabalha suas dificuldades com autonomia, ela se torna autônoma também para sua aprendizagem, isso garante um suporte para a vida adulta, para ter mais ferramentas para resolver as questões socioemocionais”, afirma a docente.

Desenvolver recursos internos nas crianças, para que elas saibam como agir diante de situações difíceis, é valiosíssimo, especialmente para aquelas que são educadas em áreas de conflito. Diversos estudos já comprovaram que alunos de escolas localizadas em regiões violentas normalmente têm pior rendimento escolar. Em série publicada no Globo em Junho do corrente (‘Educar em áreas de conflito’), o jornal mostra as dificuldades e soluções aplicadas pelas escolas para minimizar o problema.

O programa AZ é citado como estratégia de sucesso na melhor escola pública do Rio: a Escola Municipal Haydea Vianna Fiúza de Castro, localizada na Favela do Aço, no bairro de Santa Cruz, Zona Oeste da cidade. Na região, milicianos estão em constante confronto com traficantes de comunidades vizinhas e a violência impacta o cotidiano de alunos e professores.

O primeiro ciclo do Ensino Fundamental da escola conquistou, em 2013, a média 8,7 no Ideb, o principal indicador de qualidade de ensino do MEC. Para alcançar o resultado, a professora Maria Lúcia de Oliveira conta ao jornal que foi capacitada pelo programa Amigos do Zippy, para poder desenvolver o lado emocional das crianças para que elas enfrentem os frequentes conflitos externos ou domésticos com mais facilidade.

“Tem sido um sucesso multiplicar a capilaridade do AZ e o programa saiu na frente somando conquistas, mas ainda é preciso muito trabalho para continuar contribuindo com a melhoria da qualidade do ambiente escolar e, assim, beneficiar cada vez mais crianças”, declara Juliana Fleury, coordenadora de Desenvolvimento de Parcerias da ASEC.